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Entre a Pedra e a Esperança

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  O Mito de Sísifo. Imagine-se a empurrar uma rocha encosta acima. Todos os dias. Sempre a mesma pedra. Sempre a mesma montanha. E, quando parece estar prestes a alcançar o topo… a pedra rola de volta até à base. Este é o castigo de Sísifo, figura da mitologia grega. Sísifo era o rei de Éfira (nome antigo de Corinto) e tornou-se célebre pela sua astúcia, tendo conseguido enganar vários deuses – incluindo Hades, senhor do submundo – e até adiar, por algum tempo, a própria morte. Segundo o mito, Sísifo conseguiu ludibriar Tânato, a personificação da morte, e mais tarde convenceu Perséfone a deixá-lo regressar ao mundo dos vivos. Como punição, foi condenado a uma tarefa absurda e interminável: empurrar uma enorme pedra montanha acima, apenas para vê-la rolar montanha abaixo uma e outra vez. Um esforço incessante, sem rumo ou propósito visível. Esta narrativa intriga pelo seu simbolismo profundo. O filósofo francês Albert Camus reinterpretou o mito no ensaio O Mito de Sísifo (1942), p...

Eu, criminosa, me confesso

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Foto de Mark Dumbleton, 2008 Certo dia, ocorreu-me resumir: “Os filhos, para os pais, são sempre crianças; os pais, para os filhos, são eternos.” De facto, custa-me processar o envelhecimento dos meus pais. Já eles continuam a apresentar-me como “a minha mais nova” – e, invariavelmente, a minha irmã como a “mais velha” deles. O destino assim quis. Algo semelhante sucede com o Pedro, que ainda ouve o pai interpelá-lo com um: “Ó rapaz...”. Eis-nos crianças nos braços da eternidade. Nunca encarei a maternidade como um desígnio. Mas, ao primeiro som da minha filha, tive uma certeza imediata: “Ela é minha, e eu estou aqui para a proteger.” Nunca compreendi a parentalidade quando ma tentaram explicar. Não tento explica-la aos outros. A mudança é profunda e misteriosa. Não me lembro da minha vida antes dela e, por mais difícil que se torne (e torna!), por mais desafios que imponha (e são muitos…), nunca houve um instante de arrependimento – nem sequer de ressentimento. Ela é minha, e sei, d...

Homens de sucesso e outros que tais

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  Mitos Urbanos. Quando começámos a escrever esta crónica sentimo-nos como uma mulher à beira de um ataque de nervos – algo que parece ser um privilégio exclusivamente feminino (ou assim sugerem os estereótipos). Naturalmente, foi a Priscila quem teve o chilique, o Pedro manteve-se hirto e firme como uma barra de ferro . Foi como aquele clássico momento em que vamos a um evento e, de repente, percebemos, horrorizados, que não temos absolutamente nada para vestir ! Toda a gente sabe como as mulheres são: indecisas, emocionais, ignorantes, incultas, ressentidas e vingativas. Tomam decisões com base em opiniões alheias, tentam enquadrar-se em padrões impostos por outros e, claro, estão tão obcecadas com a aparência, com o que os outros dizem, e com o que eles pensam que mal têm tempo para criar uma ideia própria. Mas deixemos isso para trás e avancemos para o que realmente importa: os homens. É que as mulheres são complicadas e seria uma canseira escrever sobre elas ; já os homens s...