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A mostrar mensagens de fevereiro, 2026

Sobre o amor incondicional do cuidador informal

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“Naquela mesa, ele juntava a gente E contava contente o que fez de manhã E nos seus olhos era tanto brilho Que mais que seu filho, eu fiquei seu fã […] Agora resta uma mesa na sala E hoje ninguém mais fala no seu bandolim Naquela mesa, tá faltando ele E a saudade dele tá doendo em mim” Nelson Gonçalves A sociedade portuguesa assenta grande parte da sua resposta à dependência e à velhice num pilar silencioso e quase invisível: o cuidador informal. Na maioria dos casos, esse cuidador é um familiar direto, quase sempre um filho, que assegura cuidados diários, contínuos e exigentes, muitas vezes à custa da sua vida profissional, pessoal e emocional. Apesar do reconhecimento formal desta figura, o sistema continua a funcionar como se esse cuidado fosse um recurso inesgotável: sempre disponível, naturalmente garantido e moralmente obrigatório. Esta expectativa encontra eco na legislação portuguesa, que consagra o dever legal dos filhos cuidarem dos pais. Trata-se de uma norma decorrente de u...